Keynesianismo na prática e suas críticas

Por André C. Fabio 

Um momento inicial importante da aplicação do keynesianismo foi um conjunto de políticas econômicas aplicado pelo presidente dos Estados Unidos Franklin Delano Roosevelt, que ficou conhecido como “New Deal”. Foi uma reação à Grande Depressão, que fez com que a taxa de desemprego subisse a 25% entre 1930 e 1933, e que a produção industrial caísse pela metade.

Aplicadas entre 1933 e 1938, essas políticas buscavam lidar com a recessão, que tinha como resultado desemprego em massa nos Estados Unidos. As medidas eram baseadas em três pontos: auxílio financeiro para desempregados; gastos federais para geração de renda; e reforma regulatória, com criação de programas para distribuição de renda.

As medidas incluíram compra de alimentos dos agricultores pelo governo, contratação de jovens para trabalhar em propriedades públicas, criação de cozinhas industriais para fornecer comidas a pobres desamparados, além da criação de uma seguradora que garantia que a população recebesse dinheiro do governo, caso os bancos com seus depósitos quebrassem.

O governo do Brasil, que também foi duramente acometido pela depressão, havia antecipado uma experiência intervencionista análoga à de Roosevelt anos antes, comprando a produção excessiva de café como forma de proteger o mercado e o emprego. Em 1930, o governo brasileiro chegou a queimar o excesso de café.

Em uma visita em 1936 ao Brasil, Roosevelt discursou: “Despeço-me esta noite com grande tristeza. Há algo, no entanto, que devo sempre lembrar. Duas pessoas inventaram o New Deal: o presidente do Brasil e o presidente dos Estados Unidos”.

A intervenção estatal como instrumento para reavivar economias em crise se tornou praxe de governos pelo mundo. Entre 1947 e 1951, por exemplo, os Estados Unidos implementam seu Plano Marshall, um bilionário programa de incentivo econômico dos Estados europeus.

No século 21, após a crise financeira de 2007 e 2008, Estados Unidos, Reino Unido e outros países profundamente afetados recorreram a medidas anticíclicas para reavivar suas economias.

Em um artigo publicado em 2008 no jornal americano The New York Times, o professor de Harvard Gregory Mankiw -autor de populares livros de introdução à macroeconomia- escreveu:

“Se você for se voltar para apenas um economista para entender os problemas que acometem a economia, há poucas dúvidas de que esse economista seria John Maynard Keynes. Embora Keynes tenha morrido há mais de meio século, seu diagnóstico sobre recessões e depressões continua sendo o fundamento da macroeconomia moderna.”

Mankiw como bom neoclássico e crítica da economia keynesiana, nessa expressão parece estar de acordo com Keynes sobre as crises. Para ser verdade, isso me causa alguma estranheza… 

As críticas ao pensamento keynesiano

Um dos problemas da teoria keynesiana é que, para que governos ampliem seus gastos, é necessário que aumentem sua dívida.

Isso cria uma pressão sobre o mercado de crédito. Com o governo utilizando uma fatia relevante dos recursos, o volume de empréstimos disponível para empresas e consumidores fica mais escasso. Nesse cenário, os juros das linhas de crédito também tendem a aumentar.

Por um lado, o governo obtém mais dinheiro para gastar, por outro, o dinheiro fica mais caro para a população.

Além disso, alguns economistas apontam que gastos apresentados inicialmente como extraordinários pelo governo tendem a ser mantidos com o tempo, por meio de lobbies ou pressão popular. Na visão de críticos, isso pode levar ao aumento exagerado do Estado.

Uma outra dúvida levantada é sobre a capacidade dos governos de lerem a economia e intervirem sobre ela de forma efetiva quando necessário. Gastos podem ocorrer quando a economia já caminha para a recuperação, o que impulsiona a inflação, por exemplo.

Além disso, conforme os mecanismos de intervenção governamentais se tornam conhecidos pela população e pelas empresas, tornam-se também menos eficazes. Se há cortes de impostos para impulsionar a economia, é possível que contem com aumento de impostos no futuro, preferindo poupar ao invés de gastar, anulando os efeitos da política econômica.

Nos anos 1970, muitas das economias avançadas passaram a viver um problema novo: a conjunção de inflação e estagnação econômica, conhecida como “estagflação”. Foi um problema prático que fortaleceu as críticas às teorias keynesianas. Para seus opositores, o aumento de gastos nesse contexto levava a alta da inflação, com redução momentânea e pequena do desemprego, sem resolver o problema no longo prazo.

Enfim, essas críticas são negadas a partir das abordagens da tese sobre “Moeda e papel do Estado : o caráter ortodoxo ou heterodoxo da política econômica em Angola” e do texto deste blogue sobre o tema ” O que é keynesianismo, e sua relação com o pacote bilionário para enfrentar crise do coronavírus”. Aconselho-vos a ler os textos!

Heitor Ambrósio

02/04/2020 02h10

 

Uma consideração sobre “Keynesianismo na prática e suas críticas”

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